sexta-feira, 22 de julho de 2011

Ópera, do Malandro?


Em sua mais nova montagem de conclusão de turma, e sendo sua primeira com o título de Licenciatura em Artes Cênicas, o IFCE apresenta um espetáculo que agrega alunos e ex-alunos numa mistura simpática e divertida. Quem assina a direção é Thiago Arrais e com essa assinatura o que menos se espera é respeito ao local que acolhe, o que não seria desrespeito, mas sim, transgressão. Entretanto, isso não acontece. Arrais é quase limitado ao tradicional palco italiano, salvo pelas sofridas cenas de platéia, ao mesmo tempo em que agrada na sensação dessa transgressão chegar a um espaço tão nobre na cidade. Sua encenação territorializa o espectador, deixa-o próximo à história, assim como sua críticas ao burguês de dentro da burguesia (ViaSul) e sua inov-renov-atuliz -ação da peça seja no cenário, como figurinos, inserções metropolitanas e mídia.
Trata-se de um espetáculo de conclusão, que tem um peso enorme por conta dos 04 anos de dedicação a este ofício, mas que em diversas vezes fica evidente a escola e é necessário dar o desconto nas exigências de interpretação, com exceção de trabalhos como Liliana Brizeno (a princípio irreconhecível, e sua maravilhosa interpretação em “Terezinha”), Marina Brito (sua avassaladora Margô, lembrando até interpretações como Patrícia Selonk do Grupo Armazém), José Saruby (sua presença e entonações) e Angela Moura (de impagáveis bons momentos). Outro ponto alto do espetáculo é a direção vocal encabeçada pelo respeitado Luiz Carlos Prata, pois percebe-se claramente o cuidado com o cantar, com o gênero musical, dando, inclusive, a sensação de que nossos musicais, a partir daí, estão percebendo a diferença entre “gostar de cantar e levar ao palco” e “aprender a cantar e fazer musicais”. Ressaltando, também, a direção musical realizada por Ayrton Pessoa, principalmente, seu manguebeat para a música "Geni e o Zepelim". Já as coreografias deixam a desejar, principalmente quando vemos claramente atores que apenas cumprem os passos marcados e, lamentavelmente, a canção final entre Margô e o Malandro que chega a beirar musicais como GLEE.
A produção deste trabalho merece um destaque em especial, pois cumpre com profissionalismo todas as suas funções. A direção e as canções fazem o espectador relaxar durante duas horas e meia de espetáculo, aguardando a próxima música com ansiedade. É divertido, mas falta-lhe duas coisas essenciais: uma Geni e , principalmente, um Malandro.
 Por Silvero Pereira


Temporada o espetáculo “Ópera do Malandro"
dias 26 e 28 de julho (terças e quintas), sempre às 20h
no Teatro Via Sul (Shopping Via Sul, Av. Washington Soares, 4335, Sapiranga – tel: 3404-4027)
entrada: r$10 e r$20
mais info: www.operadomalandroifce.com
(85)8534-3134 (falar com Dhyego Martins)

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