quarta-feira, 14 de setembro de 2011

TEATRO MIMO - MULIERES


MIMO A.C. - Sofisticado e Simplificado.
Partindo do laboratório de um ator, fora da sua cidade, a cerca da mímica corporal, o TEATRO MIMO aprofundou e estabeleceu uma estética de encenação e investigação do corpo de forma valiosa e sofisticada. A necessidade de exercitar e praticar acabaram gerando trabalhos pequenos, esquetes, que lhes rederam a atenção dos apreciadores de teatro em Fortaleza. Assim, o Grupo acabou investindo na produção de espetáculos como AS LAVADEIRAS e MULIERES, este último em cartaz no teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura sempre as terças de setembro às 20h, com ingressos populares a R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (meia).
Em MULIERES o Grupo apresenta sua segunda experimentação em espetáculo, estando agora mais solidificado enquanto grupo e a formação/exercício de novos integrantes. Sua proposta de cena/estética é, já na primeira imagem, curiosa e enigmática, proporcionando uma leitura pessoal dos corpos e das ações. Uma belíssima imagem, e talvez a mais encantadora de todo o espetáculo, é a aranha composta por três atores a fim de representarem as moiras e o fio da vida. É essa leitura, essa imagem e possibilidade que nos é dado no início do trabalho como convite ao que virá depois, essa sofisticação do corpo e da imagem. Entretanto, isso não acontece, ao serem reveladas as próximas cenas o espetáculo vai perdendo sua força enquanto estética e exploração do corpo para uma dramaturgia aristotélica simplificada, o texto não tem a mesma força que os quadros imagéticos oferecidos. Trata-se de mais uma história de começo, meio e fim que contrasta com a direção das cenas. Alguns corpos ainda estão desconfortáveis em cena e sem o tônus necessário para algumas manobras, salve aqui os trabalhos de Jonathan Pessoa, Felipe Abreu e Rafaela Diógenes. Outro ponto que incomoda no texto são as inserções de humor, que popularizam o espetáculo, causam alívio cômico, mas as vezes agridem e fazem perder a beleza. Um exemplo de popularizar e manter a beleza é quando fazem uso do “cotoco”, que aproxima, mas em seguida, sacralizam o gesto. Já, em contraponto, quando se vê cenas desnecessárias como a canção de Jennifer Lopez.
MULIERES é um belo trabalho e nos faz sair do teatro com uma boa sensação, mas também saímos do teatro com a sensação de apreciação de exercícios, pois estes estão muito evidentes, crus, sem a absorção dos mesmos para sua reconstrução a partir das cenas. Além da sensação de que podíamos ter ficado menos tempo no teatro, já que algumas cenas, aparentemente, servem para expor os exercícios e ainda fazer o público entende-lo aristotelicamente e algumas “colas” ainda não estão bem definida para o andamento do ritmo do espetáculo.

MIMO D.C. – Sofisticado e Avançado
Um outro trabalho do MIMO me chama a atenção é SAKURA MATSURI: O JARDIM DAS CEREJEIRAS. Essa atenção é dada, principalmente, pelo oposto de tudo que é dito acima. Neste espetáculo o Grupo investe na dramaturgia contemporânea/pós-dramática, os exercícios são meio e não fim, o espectador tem a possibilidade de fabular junto a história, é o fenômeno teatral de construção conjunta, o público interagindo, passivamente, mas contribuindo com a história contada, abrindo um leque de opções, de textos que varam de acordo com a percepção, estado de humor e referências de cada espectador. SAKURA só deixa a desejar na trilha sonora, que, comparado aos outros trabalhos, ainda nos remete a trilhas de filmes orientais (a importância de uma trilha original). Entretanto, é um salto de qualidade, de aperfeiçoamento em técnicas corporais, em direção, em dramaturgia e estética.
                                                                                                                                     
                                                                                                                                              por Silvero Pereira

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

E se eu me esquecesse que sou ator?

Por Danilo Castro (http://odanilocastro.blogspot.com/2011/08/e-se-eu-me-esquecesse-que-sou-ator.html)

“...o artista do teatro é o ator. Mas o ator tem que se conscientizar de que é um Cristo da humanidade e que seu talento é muito mais uma condenação do que uma dádiva”


Plínio Marcos
 
É um espetáculo de atores. Esfaceladamente teatral, algo que particularmente me atrai bastante. Com características tipicamente brechtianas. Um espetáculo onde o teatro é mostrado ao avesso, onde público está em palco, onde atores não se escondem em coxias, onde não se pretende criar a ilusão dramática da realidade. Mas atores precisam esquecer do seu ofício em cena, precisam apenas viver o que suas personas necessitam. Isso não é fácil. Fazer aquilo como se nunca houvesse sido feito antes, deixar algo que está meticulosamente codificado ser fluido como se nunca houvesse sido dito/encenado antes é tarefa básica, mas, por vezes, árdua na arte de ator.

O espetáculo “E se...”, da turma noite 2011 do Curso Princípios Básicos de Teatro, (CPBT) tem uma concepção interessantíssima, atraente, madura. Cenário, iluminação e sonoplastia caminham unidos, como se tivessem a mesma força, mas acredito que ainda é possível explorar mais da teatralidade cenográfica das folhas de papel, dos pinceis, dos riscos, dos desenhos em cena. São idéias ótimas que ainda podem e devem se redescobrir.

A direção de Silvero Pereira é evidente nas cenas fortes, densas, doloridas, conflituosas, pesadas, mas que perdem com a pré-maturidade dos atores que, por vezes, não possuem as vísceras, a dor, a força que as cenas exigem. Creio que é preciso chão. Estrada. Tempo para maturação de um belo objeto estético criado durante do curso. O caminho não está errado. Os atores são disponíveis, mas ainda é preciso mais, muito mais até que para além de atores seja possível enxergar suas personagens vivendo em cena.

Há destaques no elenco, Cássia Roberta (Marina) é um deles. Sua segurança e precisão em cena fazem-na capaz de carregar a complexidade que as cenas pedem. Seu trabalho me chamou a atenção talvez também por algo subjetivo que me apregoou os olhos em sua figura e defino aqui como élan. Grotowski (Em Busca de um Teatro Pobre - 1965) fala que no teatro pobre, longe de pompas cenográficas, excessos com iluminação e indumentárias, é essencialmente preciso que o ator deixe aflorar a “luz espiritual” e não se preocupe em “atuar”.

O trabalho musical, com direção de Angela Moura, é envolvente, vozes que se unem e conquistam a cena, fisgam o público que se deixa levar em coro. Apenas solistas precisam trabalhar mais. Cantar não é impossível, mas quando se erra no canto, muito facilmente o erro se evidencia, não dá pra fugir, corrigir, por isso é preciso mais trabalho, mais consciência vocal para segurar a cena da maneira como ela se propõe.

O roteiro, diferentemente de Mixórdia, apesar de também trazer reflexões do fazer artístico, traz isso de maneira mais profunda, mais intensa. O teatro é analisado e inserido na dramaturgia com menos superficialidade. E fico feliz em saber que o roteiro é coletivo e que foi gerado um bom fruto, com histórias bem emaranhadas, nessa união.

Eu me pergunto o quanto ganharíamos se esquecêssemos que somos atores. Quando brigamos, quando gritamos, quando damos um tapa não pensamos por que estamos fazendo aquilo. Simplesmente o fazemos, a reflexão é um momento posterior. Na cena, é preciso fazer como na vida. É preciso bater em si antes de bater no outro, gritar com o corpo todo e não só com a garganta, entregar-se como num pulo no abismo, um caminho sem volta. Sem a renúncia de si e da consciência técnica que o teatro exige, isso nunca será possível. É paradoxal, mas necessário.

Desejo que o espetáculo deslanche pela nossa cidade e que viva por longas datas, fugindo do que normalmente acontece com espetáculos de conclusão de curso. Que o teatro abrace esses novos atores e que esse novos atores permitam-se ao teatro, permitam-se à Luz que Grotowski clama.

domingo, 24 de julho de 2011

Clowns de Shakespeare no Festival de Inverno

Pela terceira no Festival, o grupo Clowns de Shakespeare marcam presença com seus dois novos espetáculos: Sua incelença Ricardo Terceiro e O Capitão e Sereia.

Concebido para a rua e sob a direção de Gabriel Villela, o grupo natalense não fez feio. Mostrou uma obra reduzida do dramaturgo inglês, mas completa em sua narrativa. Nos primeiros minutos, o espetáculo já levava o público para dentro de sua arena o que no frio do Sudeste, aqueceu-nos com o calor jocoso do Nordeste. Muito jogo, alegoria, diversão e zelo, característica técnica primordial no trabalho do grupo. Os atores em cena, divertiam-se e como num efeito dominó, divertiam também a platéia. Mix de linguagens e estéticas, mas tudo muito consciente e complementar.

Quando tudo estava indo muito bem, queda da tensão e o espetáculo fora interrompido, pois o mesmo tem música ao vivo e seria impossível continuar. Parabéns para a sensatez de Hernani Maleta, coordenado do evento, e de Fernando Yamamoto, diretor do Clowns, em terem interrompido o espetáculo para não comprometerem a sua incelença.

Pane resolvida. Atores na arena e o que vimos, foram atores conscientes de suas potencialidades, resgatando o espetáculo de onde parara e com um pico de energia tão bom quanto antes, embriagando-nos com seus diálogos, linguagens e estética.

Boas jornadas ao espetáculo e espero que em breve ele aponte pelas terras alencarinas.

Tomaz de Aquino

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Ópera, do Malandro?


Em sua mais nova montagem de conclusão de turma, e sendo sua primeira com o título de Licenciatura em Artes Cênicas, o IFCE apresenta um espetáculo que agrega alunos e ex-alunos numa mistura simpática e divertida. Quem assina a direção é Thiago Arrais e com essa assinatura o que menos se espera é respeito ao local que acolhe, o que não seria desrespeito, mas sim, transgressão. Entretanto, isso não acontece. Arrais é quase limitado ao tradicional palco italiano, salvo pelas sofridas cenas de platéia, ao mesmo tempo em que agrada na sensação dessa transgressão chegar a um espaço tão nobre na cidade. Sua encenação territorializa o espectador, deixa-o próximo à história, assim como sua críticas ao burguês de dentro da burguesia (ViaSul) e sua inov-renov-atuliz -ação da peça seja no cenário, como figurinos, inserções metropolitanas e mídia.
Trata-se de um espetáculo de conclusão, que tem um peso enorme por conta dos 04 anos de dedicação a este ofício, mas que em diversas vezes fica evidente a escola e é necessário dar o desconto nas exigências de interpretação, com exceção de trabalhos como Liliana Brizeno (a princípio irreconhecível, e sua maravilhosa interpretação em “Terezinha”), Marina Brito (sua avassaladora Margô, lembrando até interpretações como Patrícia Selonk do Grupo Armazém), José Saruby (sua presença e entonações) e Angela Moura (de impagáveis bons momentos). Outro ponto alto do espetáculo é a direção vocal encabeçada pelo respeitado Luiz Carlos Prata, pois percebe-se claramente o cuidado com o cantar, com o gênero musical, dando, inclusive, a sensação de que nossos musicais, a partir daí, estão percebendo a diferença entre “gostar de cantar e levar ao palco” e “aprender a cantar e fazer musicais”. Ressaltando, também, a direção musical realizada por Ayrton Pessoa, principalmente, seu manguebeat para a música "Geni e o Zepelim". Já as coreografias deixam a desejar, principalmente quando vemos claramente atores que apenas cumprem os passos marcados e, lamentavelmente, a canção final entre Margô e o Malandro que chega a beirar musicais como GLEE.
A produção deste trabalho merece um destaque em especial, pois cumpre com profissionalismo todas as suas funções. A direção e as canções fazem o espectador relaxar durante duas horas e meia de espetáculo, aguardando a próxima música com ansiedade. É divertido, mas falta-lhe duas coisas essenciais: uma Geni e , principalmente, um Malandro.
 Por Silvero Pereira


Temporada o espetáculo “Ópera do Malandro"
dias 26 e 28 de julho (terças e quintas), sempre às 20h
no Teatro Via Sul (Shopping Via Sul, Av. Washington Soares, 4335, Sapiranga – tel: 3404-4027)
entrada: r$10 e r$20
mais info: www.operadomalandroifce.com
(85)8534-3134 (falar com Dhyego Martins)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mulheres que Matam Galinhas

por Andrei Bessa




Fui ao espetáculo curioso com o título. Que mulheres seriam essas? Esperava algo sangrento. Mulheres sem almas. Mulheres guerreiras. Que espanto meu ao me deparar que essas mulheres estava bem mais próximas do que imaginava. Ponto positivo. Aliás, o argumento do espetáculo, as mulheres que homenageiam, é o ponto mais rico e que mais merece destaque. Sim, o espetáculo fala de mulheres guerreiras, mas em outro sentido e outra força poética, simples e certeiro. A simplicidade do que o espetáculo se propõe é percebida de imediato. 

Algumas imagens bem estabelecidas e ricas de significados salvam a lentidão e a monotonia que se estabelece em quase todo o espetáculo. Aliás, imagens essas que nos permitem viajar internamente. Viagem positiva e negativa. A arte serve para isso, para nos preencher. Quando estamos diante de um quadro, ficamos parados o tempo que acharmos necessário. Somos os donos do tempo. Quanto mais forte o que vemos, mais tempo precisamos para degustar. Um processo extremamente individual - pessoas passam segundos em frente a quadros que outros passam horas. No teatro não é assim. O ponteiro do relógio gira ao mesmo tempo para todos. Por isso é necessário haver uma preocupação de não deixar com que o espectador se pergunte porque não está em casa, devidamente acomodado em sua poltrona.

A dramaturgia é interessante, os recortes feitos aparentemente sem pretensões são quase precisos. O tom de interpretação que o espetáculo pede é extremamente instigador - uma pena que nem todas as atrizes conseguem chegar no tom ideal durante o espetáculo. De uma forma geral, Ana Luiza Rios destaca-se  de suas companheiras. Ela parece estar mais a vontade na troca com o público, no texto e nas nuanças necessárias para dar vida as diversas mulheres que perpassa. Ângela Soares dá vida uma Medéia mais contida e por vezes quase infantil, visão interessante e surpreende sobre a personagem. Mas a mesma atriz não me parece a vontade em fazer de si personagem. Aliás, essa é uma das maiores dificuldades dos atores em geral: deixar os personagens de lado e se assumir em cena. Dificuldade de todas as atrizes do espetáculo (cada uma em níveis diferentes). Aline Silva me parece a mais perdida em cena. Não se mostra e não mostra grandes diferenças dos trabalhos anteriores - salvo algumas imagens que propõe. 

O que falar da direção de um homem num espetáculo tão feminino? O que falar da direção num espetáculo que dá foco ao trabalho de ator? Não sei muito bem o que comentar sobre o trabalho de Murilo Ramos. Apenas que se faz nítida boas escolhas. Felizes escolhas de imagens, de trabalho de energia, de uma receita de canja de galinha. Mulheres que matam galinhas é um espetáculo para se degustar. 

Ajustes de tempo e ritmo se faz durante as apresentações. É natural que um espetáculo recém estreado ter algumas ajustes a se fazer. É como um vestido. Ele pode ser medido e calculado friamente. Podemos colocar em manequins, para ajustar alguns pontos. Podemos até experimentar para saber se ainda há algo a se mexer. Mas para haver o caimento perfeito, é necessário que a pessoa que vai utilizá-lo experimente. Não se acha uma costureira mágica que sabe fazer um vestido perfeito sem fazer a prova. Assim como não se acha espetáculo que estréia no molde e no corte perfeitamente.

Por isso, desejo vida longa a essas mulheres. Infelizmente, não tenho notícias de quando o espetáculo volta em cartaz. Espero que seja logo, ele precisa circular mais, conviver mais, trocar mais energia, ouvir mais. É fazendo teatro que o teatro é bem feito.

domingo, 12 de junho de 2011

É TEMPO DE VISITAR A ALDEIA

(Ser e não ser apenas sede. Ter e não ter espaço para fazer teatro, para ensaiar. Saber e não saber produzir o seu espaço. Transformá-lo em local para todos usufruírem, sejam atores, pesquisadores ou espectadores. Surge com muita força, na mão certa, a ALDEIA EXPRESSÕES (Barão de Aratanha, nº 605, quase esquina com Domingos Olímpio). Um espaço que recebe bem, parece a casa de um grande amigo, cada integrante com o seu afazer/colaboração na crença de que assim se constrói um Grupo de Teatro, na cooperação. Espaço bem gerenciado, com cheiro de história e luta pela arte, aconchegante e com o ar de promessa. Espaço que produz, mostra e recebe produções. Espaço a ser divulgado,a ser procurado, a ser valorizado. Já!)
Neste último domingo (12/06/11) encerrou a temporada do Infantil DOM PODER E A REVOLTA DA NATUREZA do Grupo Expressões Humanas sob o comando da diretora Herê Aquino. O espetáculo traz as marcas estéticas do Grupo quando de início instala o ritual, o convite a entrar no mundo mágico, com músicas de encantar a alma. As canções são maravilhosas, com melodias fáceis e convidativas. Os atores estão afinados, um belíssimo coro. Entretanto, estas mesmas vozes não se encontram durante os momentos de texto. Isso acontece por conta do espaço (Teatrinho da Oca) que é pequeno demais para o volume a ser explorado pelos atores, às vezes fica tão gritado que começamos a ficar incomodados (uma criança, durante vários momentos, tapava os ouvidos). Salvo o trabalho de Felipe Franco, seja vocal, quando explora todos os volumes, tons e sussurros, seja na construção da personagem que trás  uma composição quase desenho-animado, se não fosse real. Já os outros atores chegam forçados na interpretação e na interação, não há química em vários diálogos, os corpos são desenhados na cena como marcas impostas e não como apropriadas, digeridas e prontas para brincar. A direção é muito presente, tem muita força na cena, o que às vezes faz o elenco, nitidamente, obedecer. Os figurinos não traduzem o universo a ser explorado, diante da belíssima composição musical (voz e percussão) são frágeis, inacabados, re-utilizados. Ali a reciclagem não funciona, pois mesmo cuidadoso, principalmente conhecendo o trabalho do Expressões, as composições não demonstram finalizações. O texto é atual no tema, mas datado na dramaturgia, em certos diálogos fica explícito um texto de moralidade que não são teatralizados, mas didáticos (ao extremo). Entretanto, tirando algumas questões técnicas mencionadas acima, que mais vale para por em debate do que para apreciação, do que para o público alvo, as crianças, nisso ele acerta em cheio, pois elas entram, se deixam levar, querem participar, entrar na ciranda e ser atuante. É neste ponto que o espetáculo se instala, pois nós, adultos, fomos ver teatro infantil e nos deparamos com atores-crianças-atores e saímos do espaço leves e felizes por uma hora de magia.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Projeto reúne Literatura e Teatro (fonte Diário do Nordeste - 08/06/11)

O II ciclo de Leituras Cínicas envolve crianças e adolescentes com a apresentação de vários textos
FOTO: DIVULGAÇÃO


Esta é a segunda edição do projeto, que beneficia atores sociais, de 9 a 17 anos, no Município de Tauá
Tauá Hoje, a Cia. Artes Cínicas de Teatro apresenta a obra dramatúrgica "As Bondosas", em sessão única no pavilhão da Escola Estadual de Educação Profissional Monsenhor Odorico de Andrade, neste Município, tendo como público os alunos da Escola e a comunidade em geral. A apresentação do texto inicia às 20h e faz parte do II Ciclo de Leituras Cínicas, apoiado pela Secretaria Municipal de Cultura. Esta é a segunda edição do projeto, que beneficia atores sociais, de 9 a 17 anos, participantes de atividades em espaços culturais e educacionais em Tauá.

"O Ciclo de Leituras envolve as crianças e adolescentes que apreciam a arte e que já fazem parte das atividades mantidas pela esfera pública aqui na cidade", diz o produtor, Gilmar Costa. Segundo ele, o I Ciclo de Leituras Cínicas surgiu como uma possibilidade de articular literatura e teatro, uma vez que em seu interior são trabalhadas leituras dramáticas de textos teatrais da dramaturgia cearense e nordestina que tem como marca a comicidade. "As leituras dramáticas são eficazes instrumentos para se formar público leitor e apreciador do fazer teatral", garante o produtor. Acrescenta, ainda, que o público aumenta a cada apresentação, alcançando assim outra meta do projeto, que é a formação de plateia. "As apresentações, inclusive, são sempre gratuitas, para facilitar esse objetivo", diz.

As Leituras Dramáticas se traduzem como o limiar entre a literatura e o teatro. Daí, ao realizar o evento este ano, a Companhia se propõe a trabalhar com diversificados textos teatrais integrantes da dramaturgia cearense e nordestina. Depois das leituras dramáticas são realizadas conversas formativas entre os atores e o público, com o intuito de favorecer ao último a narratividade de suas impressões sobre as leituras dramáticas e o fazer teatral como um todo, sob a mediação de Gilmar Costa. "É uma oportunidade de interação com o público", salienta Gilmar.

Selecionados
Para esta edição, foram selecionados três textos: "A Farsa de Romeu e Julieta", de José Mapurunga, "As Bondosas", de Ueliton Rocon e "As artimanhas de Simão ou O Causo dos Dotes", de Márcia Oliveira. Trabalhadas em sequência, as leituras dramáticas são previamente ensaiadas, envolvendo no elenco 11 atores e três músicos. O grupo já concluiu os trabalhos com o texto "A Farsa de Romeu e Julieta". A cenografia será montada em todo o pavilhão.

MAIS INFORMAÇÕES
Artes Cínicas
www.artescinicasdeteatro.com
Município de Tauá
Telefone: (88) 9915.8406