domingo, 24 de julho de 2011

Clowns de Shakespeare no Festival de Inverno

Pela terceira no Festival, o grupo Clowns de Shakespeare marcam presença com seus dois novos espetáculos: Sua incelença Ricardo Terceiro e O Capitão e Sereia.

Concebido para a rua e sob a direção de Gabriel Villela, o grupo natalense não fez feio. Mostrou uma obra reduzida do dramaturgo inglês, mas completa em sua narrativa. Nos primeiros minutos, o espetáculo já levava o público para dentro de sua arena o que no frio do Sudeste, aqueceu-nos com o calor jocoso do Nordeste. Muito jogo, alegoria, diversão e zelo, característica técnica primordial no trabalho do grupo. Os atores em cena, divertiam-se e como num efeito dominó, divertiam também a platéia. Mix de linguagens e estéticas, mas tudo muito consciente e complementar.

Quando tudo estava indo muito bem, queda da tensão e o espetáculo fora interrompido, pois o mesmo tem música ao vivo e seria impossível continuar. Parabéns para a sensatez de Hernani Maleta, coordenado do evento, e de Fernando Yamamoto, diretor do Clowns, em terem interrompido o espetáculo para não comprometerem a sua incelença.

Pane resolvida. Atores na arena e o que vimos, foram atores conscientes de suas potencialidades, resgatando o espetáculo de onde parara e com um pico de energia tão bom quanto antes, embriagando-nos com seus diálogos, linguagens e estética.

Boas jornadas ao espetáculo e espero que em breve ele aponte pelas terras alencarinas.

Tomaz de Aquino

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Ópera, do Malandro?


Em sua mais nova montagem de conclusão de turma, e sendo sua primeira com o título de Licenciatura em Artes Cênicas, o IFCE apresenta um espetáculo que agrega alunos e ex-alunos numa mistura simpática e divertida. Quem assina a direção é Thiago Arrais e com essa assinatura o que menos se espera é respeito ao local que acolhe, o que não seria desrespeito, mas sim, transgressão. Entretanto, isso não acontece. Arrais é quase limitado ao tradicional palco italiano, salvo pelas sofridas cenas de platéia, ao mesmo tempo em que agrada na sensação dessa transgressão chegar a um espaço tão nobre na cidade. Sua encenação territorializa o espectador, deixa-o próximo à história, assim como sua críticas ao burguês de dentro da burguesia (ViaSul) e sua inov-renov-atuliz -ação da peça seja no cenário, como figurinos, inserções metropolitanas e mídia.
Trata-se de um espetáculo de conclusão, que tem um peso enorme por conta dos 04 anos de dedicação a este ofício, mas que em diversas vezes fica evidente a escola e é necessário dar o desconto nas exigências de interpretação, com exceção de trabalhos como Liliana Brizeno (a princípio irreconhecível, e sua maravilhosa interpretação em “Terezinha”), Marina Brito (sua avassaladora Margô, lembrando até interpretações como Patrícia Selonk do Grupo Armazém), José Saruby (sua presença e entonações) e Angela Moura (de impagáveis bons momentos). Outro ponto alto do espetáculo é a direção vocal encabeçada pelo respeitado Luiz Carlos Prata, pois percebe-se claramente o cuidado com o cantar, com o gênero musical, dando, inclusive, a sensação de que nossos musicais, a partir daí, estão percebendo a diferença entre “gostar de cantar e levar ao palco” e “aprender a cantar e fazer musicais”. Ressaltando, também, a direção musical realizada por Ayrton Pessoa, principalmente, seu manguebeat para a música "Geni e o Zepelim". Já as coreografias deixam a desejar, principalmente quando vemos claramente atores que apenas cumprem os passos marcados e, lamentavelmente, a canção final entre Margô e o Malandro que chega a beirar musicais como GLEE.
A produção deste trabalho merece um destaque em especial, pois cumpre com profissionalismo todas as suas funções. A direção e as canções fazem o espectador relaxar durante duas horas e meia de espetáculo, aguardando a próxima música com ansiedade. É divertido, mas falta-lhe duas coisas essenciais: uma Geni e , principalmente, um Malandro.
 Por Silvero Pereira


Temporada o espetáculo “Ópera do Malandro"
dias 26 e 28 de julho (terças e quintas), sempre às 20h
no Teatro Via Sul (Shopping Via Sul, Av. Washington Soares, 4335, Sapiranga – tel: 3404-4027)
entrada: r$10 e r$20
mais info: www.operadomalandroifce.com
(85)8534-3134 (falar com Dhyego Martins)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mulheres que Matam Galinhas

por Andrei Bessa




Fui ao espetáculo curioso com o título. Que mulheres seriam essas? Esperava algo sangrento. Mulheres sem almas. Mulheres guerreiras. Que espanto meu ao me deparar que essas mulheres estava bem mais próximas do que imaginava. Ponto positivo. Aliás, o argumento do espetáculo, as mulheres que homenageiam, é o ponto mais rico e que mais merece destaque. Sim, o espetáculo fala de mulheres guerreiras, mas em outro sentido e outra força poética, simples e certeiro. A simplicidade do que o espetáculo se propõe é percebida de imediato. 

Algumas imagens bem estabelecidas e ricas de significados salvam a lentidão e a monotonia que se estabelece em quase todo o espetáculo. Aliás, imagens essas que nos permitem viajar internamente. Viagem positiva e negativa. A arte serve para isso, para nos preencher. Quando estamos diante de um quadro, ficamos parados o tempo que acharmos necessário. Somos os donos do tempo. Quanto mais forte o que vemos, mais tempo precisamos para degustar. Um processo extremamente individual - pessoas passam segundos em frente a quadros que outros passam horas. No teatro não é assim. O ponteiro do relógio gira ao mesmo tempo para todos. Por isso é necessário haver uma preocupação de não deixar com que o espectador se pergunte porque não está em casa, devidamente acomodado em sua poltrona.

A dramaturgia é interessante, os recortes feitos aparentemente sem pretensões são quase precisos. O tom de interpretação que o espetáculo pede é extremamente instigador - uma pena que nem todas as atrizes conseguem chegar no tom ideal durante o espetáculo. De uma forma geral, Ana Luiza Rios destaca-se  de suas companheiras. Ela parece estar mais a vontade na troca com o público, no texto e nas nuanças necessárias para dar vida as diversas mulheres que perpassa. Ângela Soares dá vida uma Medéia mais contida e por vezes quase infantil, visão interessante e surpreende sobre a personagem. Mas a mesma atriz não me parece a vontade em fazer de si personagem. Aliás, essa é uma das maiores dificuldades dos atores em geral: deixar os personagens de lado e se assumir em cena. Dificuldade de todas as atrizes do espetáculo (cada uma em níveis diferentes). Aline Silva me parece a mais perdida em cena. Não se mostra e não mostra grandes diferenças dos trabalhos anteriores - salvo algumas imagens que propõe. 

O que falar da direção de um homem num espetáculo tão feminino? O que falar da direção num espetáculo que dá foco ao trabalho de ator? Não sei muito bem o que comentar sobre o trabalho de Murilo Ramos. Apenas que se faz nítida boas escolhas. Felizes escolhas de imagens, de trabalho de energia, de uma receita de canja de galinha. Mulheres que matam galinhas é um espetáculo para se degustar. 

Ajustes de tempo e ritmo se faz durante as apresentações. É natural que um espetáculo recém estreado ter algumas ajustes a se fazer. É como um vestido. Ele pode ser medido e calculado friamente. Podemos colocar em manequins, para ajustar alguns pontos. Podemos até experimentar para saber se ainda há algo a se mexer. Mas para haver o caimento perfeito, é necessário que a pessoa que vai utilizá-lo experimente. Não se acha uma costureira mágica que sabe fazer um vestido perfeito sem fazer a prova. Assim como não se acha espetáculo que estréia no molde e no corte perfeitamente.

Por isso, desejo vida longa a essas mulheres. Infelizmente, não tenho notícias de quando o espetáculo volta em cartaz. Espero que seja logo, ele precisa circular mais, conviver mais, trocar mais energia, ouvir mais. É fazendo teatro que o teatro é bem feito.

domingo, 12 de junho de 2011

É TEMPO DE VISITAR A ALDEIA

(Ser e não ser apenas sede. Ter e não ter espaço para fazer teatro, para ensaiar. Saber e não saber produzir o seu espaço. Transformá-lo em local para todos usufruírem, sejam atores, pesquisadores ou espectadores. Surge com muita força, na mão certa, a ALDEIA EXPRESSÕES (Barão de Aratanha, nº 605, quase esquina com Domingos Olímpio). Um espaço que recebe bem, parece a casa de um grande amigo, cada integrante com o seu afazer/colaboração na crença de que assim se constrói um Grupo de Teatro, na cooperação. Espaço bem gerenciado, com cheiro de história e luta pela arte, aconchegante e com o ar de promessa. Espaço que produz, mostra e recebe produções. Espaço a ser divulgado,a ser procurado, a ser valorizado. Já!)
Neste último domingo (12/06/11) encerrou a temporada do Infantil DOM PODER E A REVOLTA DA NATUREZA do Grupo Expressões Humanas sob o comando da diretora Herê Aquino. O espetáculo traz as marcas estéticas do Grupo quando de início instala o ritual, o convite a entrar no mundo mágico, com músicas de encantar a alma. As canções são maravilhosas, com melodias fáceis e convidativas. Os atores estão afinados, um belíssimo coro. Entretanto, estas mesmas vozes não se encontram durante os momentos de texto. Isso acontece por conta do espaço (Teatrinho da Oca) que é pequeno demais para o volume a ser explorado pelos atores, às vezes fica tão gritado que começamos a ficar incomodados (uma criança, durante vários momentos, tapava os ouvidos). Salvo o trabalho de Felipe Franco, seja vocal, quando explora todos os volumes, tons e sussurros, seja na construção da personagem que trás  uma composição quase desenho-animado, se não fosse real. Já os outros atores chegam forçados na interpretação e na interação, não há química em vários diálogos, os corpos são desenhados na cena como marcas impostas e não como apropriadas, digeridas e prontas para brincar. A direção é muito presente, tem muita força na cena, o que às vezes faz o elenco, nitidamente, obedecer. Os figurinos não traduzem o universo a ser explorado, diante da belíssima composição musical (voz e percussão) são frágeis, inacabados, re-utilizados. Ali a reciclagem não funciona, pois mesmo cuidadoso, principalmente conhecendo o trabalho do Expressões, as composições não demonstram finalizações. O texto é atual no tema, mas datado na dramaturgia, em certos diálogos fica explícito um texto de moralidade que não são teatralizados, mas didáticos (ao extremo). Entretanto, tirando algumas questões técnicas mencionadas acima, que mais vale para por em debate do que para apreciação, do que para o público alvo, as crianças, nisso ele acerta em cheio, pois elas entram, se deixam levar, querem participar, entrar na ciranda e ser atuante. É neste ponto que o espetáculo se instala, pois nós, adultos, fomos ver teatro infantil e nos deparamos com atores-crianças-atores e saímos do espaço leves e felizes por uma hora de magia.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Projeto reúne Literatura e Teatro (fonte Diário do Nordeste - 08/06/11)

O II ciclo de Leituras Cínicas envolve crianças e adolescentes com a apresentação de vários textos
FOTO: DIVULGAÇÃO


Esta é a segunda edição do projeto, que beneficia atores sociais, de 9 a 17 anos, no Município de Tauá
Tauá Hoje, a Cia. Artes Cínicas de Teatro apresenta a obra dramatúrgica "As Bondosas", em sessão única no pavilhão da Escola Estadual de Educação Profissional Monsenhor Odorico de Andrade, neste Município, tendo como público os alunos da Escola e a comunidade em geral. A apresentação do texto inicia às 20h e faz parte do II Ciclo de Leituras Cínicas, apoiado pela Secretaria Municipal de Cultura. Esta é a segunda edição do projeto, que beneficia atores sociais, de 9 a 17 anos, participantes de atividades em espaços culturais e educacionais em Tauá.

"O Ciclo de Leituras envolve as crianças e adolescentes que apreciam a arte e que já fazem parte das atividades mantidas pela esfera pública aqui na cidade", diz o produtor, Gilmar Costa. Segundo ele, o I Ciclo de Leituras Cínicas surgiu como uma possibilidade de articular literatura e teatro, uma vez que em seu interior são trabalhadas leituras dramáticas de textos teatrais da dramaturgia cearense e nordestina que tem como marca a comicidade. "As leituras dramáticas são eficazes instrumentos para se formar público leitor e apreciador do fazer teatral", garante o produtor. Acrescenta, ainda, que o público aumenta a cada apresentação, alcançando assim outra meta do projeto, que é a formação de plateia. "As apresentações, inclusive, são sempre gratuitas, para facilitar esse objetivo", diz.

As Leituras Dramáticas se traduzem como o limiar entre a literatura e o teatro. Daí, ao realizar o evento este ano, a Companhia se propõe a trabalhar com diversificados textos teatrais integrantes da dramaturgia cearense e nordestina. Depois das leituras dramáticas são realizadas conversas formativas entre os atores e o público, com o intuito de favorecer ao último a narratividade de suas impressões sobre as leituras dramáticas e o fazer teatral como um todo, sob a mediação de Gilmar Costa. "É uma oportunidade de interação com o público", salienta Gilmar.

Selecionados
Para esta edição, foram selecionados três textos: "A Farsa de Romeu e Julieta", de José Mapurunga, "As Bondosas", de Ueliton Rocon e "As artimanhas de Simão ou O Causo dos Dotes", de Márcia Oliveira. Trabalhadas em sequência, as leituras dramáticas são previamente ensaiadas, envolvendo no elenco 11 atores e três músicos. O grupo já concluiu os trabalhos com o texto "A Farsa de Romeu e Julieta". A cenografia será montada em todo o pavilhão.

MAIS INFORMAÇÕES
Artes Cínicas
www.artescinicasdeteatro.com
Município de Tauá
Telefone: (88) 9915.8406

domingo, 5 de junho de 2011

GRUPO TEATRO MÁQUINA - IVANOV


Este espaço foi construído com a idéia de expor opiniões, com o objetivo de fazer o Teatro sair dos poucos espaços que possuímos e fazê-lo vivo no dia a dia, na nossa cabeça, nos nossos pensamentos, nas discussões entre amigos. Torná-lo maior. Assim, começo a partir da experiência vivida ontem no Teatro SESC Iracema com o Grupo Teatro Máquina em seu mais recente trabalho:

PARA AMAR TCHÉKHOV ou E NADA MAIS INTERESSA

A primeira imagem é limpa e depressiva, uma trilha (Ayrton Pessoa Bob) capaz de provocar imersão e estranheza, alías este é o espaço, faz ter a sensação de que estamos diante de uma atmosfera tipo filmes Lars Von Trier. Depressão é o que se constata em todos os atores-personagens, seja na respiração, nas partituras corporais, nos olhos (Nossa! Que olhos), na voz, e na cor da arte. Edvaldo Batista está magnífico, sua naturalidade neste processo é provocada por uma consciência de todas as suas ações e de todos os seus sentidos na cena. Ana Luiza Rios é hipnotizante, bela e submersa em sua delicada e apaixonada Anna, seus olhos são uma mistura de amor, perda, angústia e crença. Bruno Lobo é uma explosão contida, um vulcão em erupção, mas o que vemos por fora é o quente pulsante e não a lava, está tudo dentro, prestes a explodir e são seus olhos que cospem esse calor, uma energia em cena invejável na certeza de que as vezes o mínimo supera o máximo do ator. Loreta Dialla é outro exemplo de simplicidade e força, sua presença é tão necessária, tão provocante que nos deixa constrangidos, seu simples tremor da bandeja de copos diz mais que mil palavras. Aline Silva tem, além de sua esplêndida beleza, um corpo e um sentido para a cena como se Tchékhov fosse sua área de conforto. Já Levy Mota deixa a desejar, sua presença é desconfortável, seus gestos são imprecisos e marcados, o que faz destacá-lo da unidade de interpretação e preparação corporal do restante do elenco. Frederico Teixeira constrói um cenário, que apesar da madeira, tem uma imagem leve, talvez provocada pelas cortinas brancas e transparentes e pelas rodas de acrílico que permitem vê-lo deslizar sem esforço, e pelo cru, a madeira trabalhada, além da floresta em um tom melancólico. A direção é clean e precisa, Fran Teixeira desenha uma movimentação que explora tanto o espaço da cena como a cena-bastidor, além de fazer o cenário ser dramaturgia, ele dialoga com Tchékhov, com o MAQUINA e com o espectador. Não existe marcação, mas sim uma apropriação de idéias (Anna tirando as folhas secas de cima da mesa). A direção sabe não se anular, mas se enraizar nos atores para a partir deles ter espaço no espetáculo. A luz (Walter Façanha) é signo, é espaço, é texto. O tempo é imperceptível, pois estamos ali para viver e não para apreciar, e isso é quase inacreditável. O tédio é provocado pela vida e não pela arte.

O Grupo de Teatro Máquina mostra um novo caminho tomado. É nítido seu crescimento profissional na produção, na técnica, no trabalho do ator, na sua linguagem. Isso, provavelmente, é resultado da possibilidade, e da importância, de projetos de manutenção, de sede própria, de patrocínio e de intercâmbio.

Temporada IVANOV - Fortaleza (CE)
Ivanov

Fortaleza - CE
Todas as Quintas, sábados e domingos de Junho.
no Teatro do SESC SENAC Iracema.
Sempre às 20h.
Ingressos: R$16/8

http://diarioivanov.wordpress.com/

terça-feira, 31 de maio de 2011

o que fazer desses restos?: sim, não: talvez


Advérbio, classe gramatical invariável; palavra que modifica o verbo ou adjetivo ou outro advérbio. Sim: advérbio de afirmação. Não: advérbio de negação. Talvez: advérbio de dúvida.

Três pilares das certezas e incertezas das relações humanas. Podemos perceber, aqui, inicialmente, a pontuação. Aquele recurso que utilizamos na língua escrita para expressar o ritmo e melodia da língua falada. Vírgula: pausa curta. Ponto e vírgula: pausa não tão curta, o período ainda vai ser completado. Dois pontos: um esclarecimento. Ponto final: pausa longa, muito longa. O fim do período, ou seja, seu sentido está completo, sendo mais claro, acabou. Temos outros sinais gráficos, as interrogações, exclamações etc, mas creio que estes bastem no momento.

Não podemos esquecer a preposição, aquela palavra, também invariável, que liga dois elementos de uma orcação: a, ante, até, após, com, contra, desde, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás. (Creio que ainda sejam essas, as preposições aprendidas na 7ª série). Entre. A relação está entre os advérbios ou Entre na minha vida!

Por que a invariabilidade nas relações? E a variação? A aceitação? A penetração no âmago do outro? Porosidade? Efeito teflon?[1] As relações efêmeras. Instalações efêmeras. Passagens. Misturas. Doação. Instalação, performance, teatro, dança, relação. Relações humano-sócio-culturais. Relações. O que são? O que é cada uma dessas artes? E dessas pessoas? Precisamos nos apegar a conceitos para aceitar a arte e ao amor? Encontros e desencontros repletos de talvez, de sins e nãos. De SIM, NÃO: TALVEZ.

Um tempo... "as avessas” na seda de um papel.

No abismo do olhar do outro.

Na Solidão da ilha de cada um.

Então, o que fazer com os restos?[2]

Com a imagem de um homem na janela, dos apartamentos de uma metrópole, preso em seus conflitos, em seu universo pessoal, e uma mulher jogada ao chão encoberta por suas mágoas,sim, não: talvez, abre gestalts em um mundo em constante de-vir das relações e suas efemeridades. Valoriza os opostos dessas relações em sua concepção e movimentação. Oposição. Os opostos se atraem. Para ficar em pé, o homem está em constante oposição. Conflito eternoentre a gravidade e a linha de equilíbrio vertical. Oposição. Princípio constante. Barba[3]defende esse princípio como um dos geradores do estado de presença e, assim, alcançar o corpo decidido e, portanto, crível.

Cremos naqueles intérpretes que dilataram seus corpos e expandiram sua presença pelo espaço contagiando-nos com a beleza de uma oposição poética e lírica; forte e densa. Novamente a dança das oposições presentes em todas as relações. A vida. Oposta. Oposição.

Certas coisas

Composição: Nelson Motta e Lulu Santos

Não existiria som
Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz

Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...


Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...


Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...


A vida é mesmo assim,
Dia e noite, NÃO, SIM: TALVEZ.


Delicie-se com cartola:



O Mundo é um moinho

Composição: Cartola


Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar


Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és


Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.
Vai reduzir as ilusões a pó


Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés


[1] Conceitos de Tereza Rocha

[2] Texto disto pelos intérpretes criadores

C[3] Eugenio Barba, teatrólogo


Tomaz de Aquino